Se toda a gente fosse poeta, o mundo seria diferente.
As ruas estreitas, as calçadas, os becos
e as passarelas seriam todas partes de um grande poema final.
O primeiro verso se daria, quando a cada
dia que se passasse, os passarinhos sobrevoassem o mesmo galho de uma mesma
árvore para ser seu lar, seu ninho. E, voando em círculos, num ciclo eterno,
eterno caminho, perceberiam que o lar perfeito já estava ali, sendo a família
ou o amigo, lar que é teu, não sai de ti.
E se poeta, toda a gente fosse, os versos
seriam longos, detalhados, de pouco espaço e vasta imaginação. Porque o humano,
quando quer ser, muito fala e imagina na pouca liberdade que o mundo permite
ter.
E quem diria, que fabulosa poetisa, a
natureza seria. Natureza, naturalmente, seria a estrofe mais poderosa,
caminhando em direção ao que nunca foi visto, a paz do tempo, o amor profundo e
o profundo místico. Andando entre rosas de tensão, arbustos de emoção e
grandes, imensas árvores, livres de qualquer preocupação.
Poeta que é poeta, de nascença, benção ou
paixão, sabe bem reconhecer a poesia, já chega e com sua certeza, diz que o
tempo é o poema que, na beleza do universo, esbanja lindos versos de alegria.
Daqueles que se lê com atenção, já pensando em reler mais uma, duas, três ou
mil vezes, de poema que é o adocicado da vida, de tempo que permite e desperta
toda a gente que, ser, queria. E quando quer ser, essa gentalha se aproveita,
faz do tempo o que puder, faz deste bem tão quisto, precioso, o que quer seja preciso:
um amigo querido, um amor de escola, uma pessoa-ídolo, uma invenção de moda,
uma tentativa falha, uma saudosa viagem, uma velha nostalgia, um túnel
iluminado, uma quitanda favorita, um restaurante frequentado, uma caneta com
tinta, um papel esbranquiçado, uma natureza viva, um poema sem palavras, um
olhar de esperança, um espírito de mágoas, uma vida outra vez, um tempo de
passagem, um longo poema vivido, um coração que bateu e bateu e bateu, e
terminou de ser lido.
Uma alma, um dia viva, que sempre será
lembrada. Uma vida, por alguém vivida, que sua história será contada. Um poema,
do mais simples, que toca todos os povos, todas as mentes e todos os espaços.
Uma poesia feita por gente e para gente será ditada. É um ditado sem fim, um
modo de dizer, um verbete do dicionário, uma gíria, sou eu e você. É humano e
atemporal, é poema natural, é o tempo que vive e existe. É nosso mundo bem
aqui.
Se toda a gente fosse poeta, o mundo não
seria tão diferente assim.
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