voe, passarinho, voe
em asas lambidas embebidas
secretadas de lágrimas e óleo animal
expulsas de ninhos mornos lares loucos
acolhidas de forma alguma em casa única
de família
voe, passarinho, voe
mas voe sozinho primeiro
mergulhe nas profundas águas agitadas
ação cruel, desilusão e desespero
corra, passarinho, corra
quebrasse todas imensas expectativas
construisse do nulo um caminho
inventasse dos galhos uma vida
enfrente, passarinho, ou fuja
liberta-te dessas amarras enlameadas
lambe ao corpo todo a saliva curativo
sente-se da vida lúdica
deite-se da vida pública
enfrente a maré alta de trovão ensurdecedor
ou fuja, passarinho, fuja sem poder dizer que pelo menos tentou
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