palavra-amor

Se algum dia você,

com todo seu amor
pensou em me contar
me dizer
notificar
que palavra-amor
é de mamãe
acho que esqueceu

Se o dia que passa
a noite que me dói
a mente e mentalmente
aflige meus pensamentos
e marca minha pele
destrói meu presente
me traz de volta
aquela infância indesejada
invalida todo meu sentimento

Se você
você mesmo
que um dia desejei
pela sua palavra-amor
e recebi duas pancadas
dois presentes
duas opções de felicidade
a doída e penosa
a rápida e gostosa
e no fim,
deixou-as cair e quebrar
e sem se desculpar
fez tremor em minha vida
fez frio em meu cobertor
fez dor onde não havia
e onde já, piorou

Quebrou
não só quebrou,
estraçalhou
jogou com força
com ódio
com desdém e
uma fúria indescritível
me deixou inconsolável.
e eu também fiz
ação-ruim
deixei cair teu prato
um belo de um
pratinho de porcelana
coitado

Vingança, você diz?
Só porquê
um dia eu quis
não te obedecer
ignorei o palavra-ruim
fiz tudo que me era possível
mas por uma porcelaninha
era tudo culpa minha?
— Porcelanato, tu corrigia.
Todo bendito e santo dia
Merda nenhuma

Se palavra-amor existisse mesmo
Nada assim me aconteceria
Palavra-amor sendo restrito?
que coisa maluca é essa?
desde quando você como
palavra-pai
não sabe falar
não sabe comunicar
em palavra-amor

Tire mamãe de sua boca
Seja sincero comigo
Conte seus segredos
seus inúmeros fracassos
e seu único sonho-desejo


jogue toda a culpa em mim
sou de todo ruim do mundo
a alma-ruim, palavra-ódio
Jogue, estraçalhe, fale, conte
todos os verbos que ja usei
faça comigo o que nunca fez
grite, me mate, me chorem

Mas quando eu sumir
quero ver quem morre.

palavra-amor, papai.

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