Querida,
Eu sinto, imensamente, sua falta. Minhas paranoias mentais — e suas últimas falas — dizem que você não sente o mesmo. Separações são sempre conturbadas, mesmo quando se termina bem. Descobri isso recentemente. Uma pena, né? Tenho tantas coisas para te contar, tantas coisas que fiz nos últimos tempos e que nunca chegarão aos seus ouvidos, é triste perder um amor assim tão querido. Mais triste ainda é não poder te descrever as pessoas que conheci, as aventuras que percorri ou até as vergonhas que passei, é triste não poder te dizer mais uma vez o quanto te amo, —o quanto te amei.
No início do ano, pedi muitas coisas ao universo (ou a qualquer ser superior por aí), pedi, principalmente, por relações mais saudáveis na minha vida. Pedi isso tantas vezes. Fui a Aparecida do Norte e também por isso pedi. E tive minha resposta poucos dias depois: um relacionamento finalizado. Um ciclo encerrado. Uma parte de mim que foi dramaticamente arrancada. As coisas mudaram numa quinta-feira, 23.
Seu pai tem uma loja que fica no caminho para minha casa. Você é uma pessoa importante na escola. Uma parte de seus amigos também é meus amigos. Um dos seus sabores de sorvete favoritos só existe na sorveteira que fica ao lado do meu cursinho. Não posso mais pegar o 605, o 608, o 390, o A10, o 311B ou o 314 sem lembrar de você. Não consigo entrar no shopping Pantanal sem lembrar de nós. Convivo diariamente contigo, olho no olho todo dia, todo dia ouço sua voz, todo dia você se faz presente, perto, mas longe. Sempre tem alguém te procurando e eles sempre perguntam para mim. É um saco. É um incômodo surdo-mudo que vivencio. Mas, e daí? Eu super viveria dessa forma (se ainda estivéssemos juntas).
A melhor coisa que fiz pós-término foi ter apagado todas as nossas conversas, finalizei o ciclo vicioso, uma quase mania, um vício, uma droga, a morfina que era ler e reler todos os dias suas palavras tão bonitas. Não cheguei ao nível de apagar as fotos. Palavras importam, mas imagens — memórias — importam muito mais e não estou preparada mentalmente para desapegar delas. Eu nem vejo nossas fotos, elas só ficam na minha galeria, totalmente paradas no tempo, como se tudo ainda estivesse dentro dos conformes, como se o mundo estivesse parado em 2024. Eu só sei que as fotos estão lá, mas nem toco, pois tenho medo de estragar, surtar e deletar.
Sabe de uma coisa positiva que aconteceu depois de tudo isso? Eu comecei a ouvir ainda mais música, não vivo sem meu fone. Tenho certeza de que minha retrospectiva do Spotify estará repleta de músicas tristes no final do ano. E então, lembrarei da dor que sinto no momento e nem vou sentir tanto mais, vou deixar pra lá, futuramente não vai doer tanto assim.
Eu escrevo essa carta — que nunca será enviada — só pelo desabafo que é, poder fingir te contar tudo que sinto. O quão libertador é poder fazer isso, sem as consequências que surgiriam.
Nós vivemos muita coisa. Meu e-mail notificou que você republicou um TikTok ontem, com a legenda "que saudades da minha futura família" e com um comentário seu "nem sei quem são, mas sim", foi automático, assim que li, pensei em como eu daria tudo para ser parte dessa futura família. Contei isso para Isabelle hoje e ela até murchou por mim, coitada, ela vive com pena da minha situação. Enfim, como eu queria que tivéssemos dado certo...
Beijocas, eu ainda, (in)felizmente, amo você.
Carinhosamente,
Sofia.
atualização 16/03/2026: não te amo mais, e estou feliz que isso aconteceu.
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